AVC: outras alterações que contribuem para dificuldades de comunicação

 

Alterações de comunicação são muito comuns após o AVC e estão maioritariamente associadas à lesão em si. Saiba mais em: Comunicar depois do AVC: afasia, disartria e apraxia.

Existem, contudo, outras alterações decorrentes de um AVC, que podem contribuir para tornar a comunicação ainda mais desafiante.

Eis algumas.

 

Alterações sensoriais e de percepção

“Não está aqui nada disso…”

Alterações visuais como a hemianópsia – perda parcial ou total da visão de uma das metades do campo visual – ou de atenção, como o hemineglect – defeito de atenção e consciência de uma das metades do corpo, podem contribuir para comprometer a comunicação.

Um exemplo muito simples: imagine que pede à pessoa que lhe passe o sal, que se encontra à direita da pessoa, em cima da mesa. Se a pessoa tiver uma hemianopsia visual à direita, vai ser incapaz de ver o sal. No caso de hemineglect, vai simplesmente ignorar tudo o que existe à sua direita.

Ambas as alterações podem ter um impacto significativo na leitura e na escrita.

A hipoacúsia – perda auditiva – pode também ocorrer na sequência de um AVC e comprometer a comunicação.

 

Excesso de saliva e dificuldade em engolir

“Não consigo falar com tanta saliva.”

A dificuldade em deglutir (disfagia) depois do AVC pode fazer com que a pessoa tenda a acumular saliva na boca em grandes quantidades, ou a babar, pelo que, quando tenta movimentar a boca para articular palavras, é difícil encontrar um equilíbrio entre abrir suficientemente a boca para falar e suficientemente fechada para que não caia.

Pode acontecer também que a pessoa faça silêncios pouco naturais antes de começar a falar, que correspondem à sua tentativa de engolir a saliva antes de fala.

O terapeuta da fala é profissional que avalia e reabilita a deglutição, para além da fala.

 

Comunicação de emoções

A fala esconde em si vários aspetos relacionados com as emoções.

Pense na frase: “Não há pão.”

Imagine-a a ser dita por alguém desiludido e, depois, por alguém que faz uma constatação.  

Certamente ouviu mentalmente dois tipos de tom de voz diferentes e, eventualmente, duas expressões faciais distintas para cada caso.

Depois de um AVC, a pessoa pode ter dificuldade em fazer variar o tom de voz ou mesmo o volume e a expressão facial pode também tornar-se menos expressiva, devido por exemplo a uma paralisia das pregas vocais e a uma paralisia facial, respetivamente, o que pode trazer limitações à comunicação não-verbal.

 

Defeito de memória e atenção

“Do que é que estávamos a falar?”

Processos extremamente importantes para a comunicação como a memória e a atenção podem tornar a comunicação mais lenta e difícil.

 

Fadiga

“Falamos depois.”

A fadiga física e mental que acontece depois de um AVC diminui a predisposição para falar. Todas as atividades podem parecer extremamente cansativas, incluindo comunicar.

 

Paralisia do braço

Não sei escrever com esta mão.

A paralisia de um braço pode limitar a utilização de gestos, a manipulação de objetos e a escrita. Pode acontecer, que, temporariamente ou a longo prazo, a pessoa tenha de utilizar o lado de lateralidade não dominante para escrever, o que se pode tornar num desafio frustrante…

 

Alterações de personalidade

“Ele agarra todas as pessoas que vê.”

As alterações sofridas pelo cérebro podem também alterar a personalidade, afetando o humor e as emoções, que se podem tornar difíceis de controlar. Comportamentos de impulsividade ou violência podem também surgir. Estas alterações devem ser comunicadas ao médico, para que seja ajustada a medicação.

 


A ocorrência de um AVC traz inúmeros desafios emocionais e físicos, para a pessoa e para a sua família e amigos.

Saber reconhecer a necessidade de ajuda e as opções de reabilitação que existem é muito importante para conseguir gerir uma fase tão difícil para todos. Garantir uma intervenção atempada permite acelerar a adaptação às dificuldades e potenciar o sucesso da reabilitação.

 

Saiba mais sobre:

Alterações da comunicação depois do AVC

Outras alterações que podem interferir na comunicação da pessoa com AVC

Reabilitação da fala

Reabilitação da linguagem

Reabilitação da deglutição

 

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