Antes de abordar estratégias de comunicação úteis na doença de Parkinson, é importante refletir sobre alguns aspetos…

  • Comunicar exige sempre um emissor (aquele que emite a mensagem) e um receptor (aquele que recebe a mensagem), por isso, existem dicas tanto para um, como para outro. Veja sempre a comunicação como uma parceria 🙂 Para consultar estratégias dirigidas às pessoas com doença de Parkinson, clique aqui;

 

  • As dificuldades de comunicação na doença de Parkinson podem dever-se tanto a alterações da fala, como da linguagem;

 

  • O nível de dificuldade de cada pessoa é muito variável e nem todas as estratégias serão aplicáveis a cada pessoa – depende da situação: nem todas as pessoas com DP podem necessitar (ou vir a necessitar) das estratégias aqui partilhadas.

 

O que podemos fazer?

 

O que pode o ouvinte (receptor) fazer para facilitar a comunicação com uma pessoa que tem dificuldade em falar, devido à doença de Parkinson?

 

 

  • Seja sincero, se não está a compreender o que pessoa diz, diga-lhe que não está a perceber. Quando opta por fingir que percebe, a pessoa vai aperceber-se que não está a ser entendida e pode entristecer, desistir e até evitar falar mais.

 

Diga explicitamente: “Desculpe, não estou a compreender, importa-se de repetir mais devagar/alto/por outras palavras…?”

 

  • Lembre-se que a pessoa com doença de Parkinson tem uma percepção do volume da sua própria voz diferente da sua, pelo que quando lhe pede para falar mais alto, ela sentirá que está a falar demasiado alto. (E é por esta razão que é importante perceber como funcionam as alterações da fala na doença de Parkinson, se ainda não o fez, aqui fica uma segunda oportunidade: Alterações da fala na doença de Parkinson)

 

  • Em situações muito difíceis, se não está a conseguir compreender, de todo, o que a pessoa diz:
    • relaxe – a pessoa consegue sentir a tensão na sua voz e isso também a vai deixar mais nervosa;
    • explique-lhe que não está a conseguir compreender e pergunte se importa de escrever (se a pessoa conseguir);
    • uma outra opção será pedir à pessoa que soletre a palavra;
    • peça que diga a palavra principal da mensagem e faça perguntas de resposta fechada (sim/não) a partir daí, sobre o assunto.
    • pode ser útil ter um quadro com letras à mão, para que a pessoa aponte.

 

  • Escolha a melhor hora: algumas pessoas com doença de Parkinson podem ter flutuações motoras, com períodos de off, isto é, momentos em que a resposta à medicação não é óptima e o desempenho motor é pior. Sendo a fala um ato com um componente motor importante, nos períodos de off  as pessoas tendem a ter mais dificuldade em falar. Se se trata de um destes momentos, e se as estratégias anteriores não estiverem a funcionar, verifique se a pessoa quer mesmo falar ou, tratando-se de um assunto importante, pondere a possibilidade de tentar conversar mais tarde.

 

  • Sempre que possível, evite ruídos à volta; o simples ruído ambiente de uma janela aberta para uma rua que tenha carros a passar ou uma televisão ligada pode dificultar a compreensão do que está a ser dito;

 

  • Fale normalmente, não fale mais alto do que o costume e evite infantilizar – o facto de a pessoa não conseguir falar (articular) bem, não significa que a pessoa não compreenda perfeitamente o que os outros dizem;

 

  • Permita espaço para aliviar o ambiente com uma brincadeira sobre alguma palavra que acha que está a perceber mal – claro que esta estratégia depende da relação que tem com a pessoa e do perfil dela, mas de um modo geral, existe espaço para um sorriso e uma brincadeira circunstancial. Por vezes, um sorriso diz tudo 😉

 

  • Num momento social, com várias pessoas, evite falar pela vez da pessoa com DP, a não ser que ela lho peça explicitamente. Por outro lado, não ignore  a pessoa DP, pedindo a outra pessoa que fale na vez dela;

  • Dê prioridade à comunicação face-a-face, isto é, posicione-se à frente e ao mesmo nível da face da pessoa e observe os movimentos da boca enquanto ela fala, “lendo a fala” enquanto a ouve;

 

  • Dê oportunidade à pessoa de comunicar no seu próprio ritmo. Comunicar é um prazer e tem um peso importante na vida social da pessoa, bem como na sua participação e auto-estima. Seja paciente e permita à pessoa iniciar e participar em conversas. Ajude-a, incentivando-a e dando-lhe oportunidade para participar.

 

Por exemplo: “Na semana passada o Manuel e eu comentámos precisamente esse assunto e tivemos opiniões diferentes. Manuel, quer partilhar a sua opinião?”

 

  • Esteja atento, mesmo que pessoa demore mais tempo e seja difícil compreender, se a pessoa lhe quer dizer alguma coisa, é porque existe uma mensagem importante para ela, ou mesmo para si. Insista, não desista 🙂

 

Por favor, considere que estas dicas e estratégias são gerais. Para cada situação existem estratégias específicas ou meios alternativos que podem facilitar a comunicação. Um terapeuta da fala poderá ajudá-lo a ultrapassar eventuais dificuldades de comunicação mais específicas.

Sugestão de leitura:

Estratégias de comunicação para pessoas com doença de Parkinson.

Doença de Parkinson: quando devo procurar um terapeuta da fala?

Alterações da fala na doença de Parkinson (LSVT LOUD®)

 

 

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