Talvez seja dos comentários que mais ouço por parte dos doentes de Parkinson, em relação à Terapia da Fala:

“Eu não sabia quando é que devia consultar um terapeuta da fala.”

Habitualmente, são três os motivos que levam os doentes à consulta de terapia da fala, nomeadamente:

  • indicação do médico neurologista;
  • interesse em iniciar um programa de exercícios preventivo de alterações da fala e/ou deglutição;
  • presença de alterações da fala e/ou da deglutição.

 

Qual é o melhor momento para consultar um terapeuta da fala?

Idealmente, sou da opinião de que todas as pessoas deveriam receber informação sobre possíveis sinais e sintomas de alteração da fala e deglutição quando são diagnosticadas, isto é, numa fase inicial da doença. Compreendo e aceito, contudo, que, numa fase inicial, possa ser mais delicado lidar com tanta informação nova e que pessoas que acabam de receber um diagnóstico importante não estejam disponíveis para ouvir falar de mais sintomas. Mas nem todas as pessoas são iguais e, se por um lado existem doentes que preferem receber informação apenas à medida que os sintomas vão surgindo, existem outros que querem saber de tudo com a maior antecedência possível.

Respeito as duas opções.

Daí considerar sensato afirmar que o melhor momento para consultar um terapeuta da fala será aquele em que a pessoa se sente preparada para lidar com as alterações que sente ou quando quer saber que alterações pode vir a ter (nem todos os doentes de Parkinson desenvolvem alterações da fala ou deglutição!).

Por exemplo, quando a pessoa se pergunta:

Que alterações posso vir a ter?

Isto que estou a sentir é normal ou é uma alteração?”

Esta alteração que sinto, está relacionada com a doença?”

Que exercícios posso fazer, enquanto prevenção?”

 

Que possíveis alterações posso sentir ao falar?

  • Sentir que a voz está mais rouca, mais baixa ou com tremor;
  • Ter dificuldade em projetar a voz -por exemplo, em falar mais alto quando quero ou em chamar alguém que está noutra divisão;
  • Receber pedidos de repetição ou pedidos para falar mais alto “Não percebi.”, “Importa-se de repetir?”, “Tem de falar mais alto, senão não percebo!”;
  • Dificuldade em articular (pronunciar) as palavras ou determinados sons, especialmente os grupos de consoantes (br, tr, cr, bl…etc);
  • Dificuldade em organizar as ideias do discurso, por exemplo, quando quero relatar um episódio (relacionado com a linguagem);
  • Dificuldade em dizer o nome de objetos, embora os conheça bem (sensação de “palavra na ponta da língua“) (relacionado com a capacidade de linguagem);

E quanto à deglutição, o que posso sentir?

  • Dificuldade em mastigar;
  • Queda de alimentos enquanto mastiga;
  • Acumulação de restos de alimentos na boca, entre os dentes e as bochechas, no palato ou debaixo da língua,
    depois de engolir;
  • Necessidade de deglutir várias vezes para o alimento “passar” da boca para a garganta garganta – alimentos ficam
    na língua, colados ao palato (“céu da bca”) ou espalhados pela boca;
  • Dificuldade em iniciar a deglutição;
  • Passagem de alimentos para o nariz;
  • Tosse antes, durante ou após a deglutição;
  • Episódios de engasgamento, com tosse, sensação de asfixia e/ou necessidade de regurtitar alimento;
  • Sensação de alimento preso na garganta;
  • Necessidade de deglutir várias vezes para o alimento “passar” pela garganta;
  • Necessidade de regurgitar alimento;
  • Alteração da voz depois de engolir (voz mais fraca ou “molhada”/gargarejante);
  • Infeções respiratórias frequentes;
  • Perda de peso involuntária.

Rita Loureiro, terapeuta da fala

 

 

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