Se tem doença de Parkinson, pode, ou não, ter dificuldade em falar. Nem todas as pessoas com DP vêm a ter dificuldades na fala, mas a sua grande maioria, sim.

Pode, por exemplo, verificar que a sua voz está rouca e mais baixa, que a articulação das palavras é imprecisa, ter dificuldade em controlar a velocidade da sua fala ou que a sua fala está mais monótona.

No dia a dia pode aperceber-se que as pessoas nem sempre percebem o que diz à primeira, especialmente ao telefone. Responder rapidamente a questões ou mudar de assuntos muito rapidamente numa conversa pode ser  desafiante.

Felizmente, existem sempre estratégias para contornar grande parte das dificuldades de comunicação. 🙂 Partilho algumas delas:

 

  • Para comunicar são precisos pelo menos dois. Reflita sobre:
    • A importância de assumir um papel ativo para melhorar a sua capacidade de comunicação. Ter um papel ativo pode ter vários significados: fazer reabilitação (terapia da fala), tomar mais iniciativa em conversas sociais, utilizar estratégias de comunicação mais vezes, fazer mais frequentemente os exercícios que o seu terapeuta da fala lhe recomenda que faça… pense no quão ativo é em relação à sua comunicação!
    • A importância do outro (pessoa com quem conversa). Se tem dificuldade em expressar-se, é importante, e muitas vezes libertador, explicar ao seu parceiro de comunicação as suas dificuldades e o que espera dele – algo como, por exemplo:

Às vezes falo mais baixo, tens de me ajudar a falar mais alto.

Às vezes tenho a palavra na ponta da língua e não consigo dizê-la, dá-me uma ajuda. (ou) Às vezes tenho a palavra na ponta da língua e não consigo dizê-la, dá-me tempo para pensar que eu chego lá.

Se não me estiveres a perceber, por favor, diz-me. Prefiro que me digas.

Importas-te de baixar o volume da televisão enquanto falamos? É mais fácil falar, assim.

  • Inspire profundamente antes de cada palavra – esta estratégia vai ajudá-lo a cansar-se menos, a ter mais fôlego para dizer frases compridas e a falar com um volume mais alto.

 

  • Pode achar útil respirar a meio de uma frase ou optar por dizer frases mais curtas;

 

  • Não se isole ou sinta embaraçado, se tem dificuldade em falar. Os seus amigos e familiares valorizam as suas opiniões e gostam da sua participação, mantenha-se sociável – o esforço também está do seu lado!

 

  • Passatempos como o canto promovem a socialização e ajudam a exercitar os seus músculos vocais e respiratórios – se gosta de cantar, não hesite; se não gosta, que tal experimentar, pelo menos? 🙂

 

  • Se alguém lhe pede que repita, entenda esse pedido como uma oportunidade para mudar algo na forma como está a falar – experimente tentar falar mais alto e mais devagar, articulando todos os sons das palavras;

 

 

  • Se há momentos em que a comunicação através da fala é muito difícil, experimente:
    • dizer apenas as palavras principais da frase ou da ideia;
    • escrever – utilizar papel e caneta ou apontar letras num quadro pode ser uma opção;
    • posicione-se de frente para a pessoa e tente exagerar os movimentos da boca enquanto tenta falar;
    • reduza o barulho à sua volta (desligue o rádio, a televisão, feche as janelas, mude de sala…).

 

  • Sobre o “falar mais alto”: arrisque. Lembre-se que a percepção do volume da sua própria voz está alterada. Encare isto como uma partida do seu cérebro, que lhe dá a sensação de que está a falar num volume normal, quando, na verdade, está a falar baixinho. Este é um dos principais motivos pelos quais as pessoas com doença de Parkinson recebem pedidos de repetição. Como dar a volta? Arrisque falar mais alto, porque na verdade, irá falar num volume normal para quem o ouve, ainda que sinta que está a falar demasiado alto.

Desafio: se recebe pedidos de repetição muitas vezes e se alguém já lhe disse que fala muito baixinho, experimente, durante cinco minutos, conversar com um amigo utilizando uma voz que lhe parece ser alta demais. Agora é a minha vez de arriscar: arrisco que a reação do seu amigo vai ser muito positiva! Algo como: “A tua voz está fantástica!” 🙂

 

 

 

  • Sorria! Comunicar não é apenas falar – use e abuse da sua expressão facial para fazer passar a mensagem que pretende 🙂

 

Rita Loureiro

Terapeuta da Fala

 

Outras leituras recomendadas:

Familiares e amigos: estratégias para comunicar melhor na doença de Parkinson

Doença de Parkinson: quando devo procurar um terapeuta da fala?

Alterações da fala na doença de Parkinson (LSVT LOUD®)

 

 

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