Esclerose Múltipla: o que é?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória, desmielinizante, que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC)1. A sua causa não é totalmente conhecida, mas pensa-se que está relacionada com a interação entre fatores genéticos e ambientais2.

A progressão da EM é variável. O diagnóstico de EM não significa que a doença vá progredir continuamente – alguns doentes apresentam uma progressão mais rápida, outros mais lenta, enquanto que outros atingem um patamar estável3.

Doença desmielinizante: doença em que existe danificação da bainha de mielina.

Mielina: substância presente na bainha de mielina, que envolve fibras nervosas e permite uma condução mais rápida dos impulsos nervosos.

 

Classificações da Esclerose Múltipla1

  • Esclerose Múltipla Surto-Remissão (EMSR): caracterizada por quadros de exacerbação aguda de sintomas, a partir dos quais a pessoa recupera total ou parcialmente, com períodos de relativa estabilidade clínica entre cada episódio de exacerbação.
  • Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EMPP): caracterizada por um declínio progressivo das funções neurológicas, desde o início dos sintomas.
  • Esclerose Múltipla Secundária Progressiva (EMSP): caracterizada por uma progressão gradual, após um período inicial de surto-remissão. Acontece em até 40% dos doentes, 20 anos depois do primeiro surto4.
  • Síndrome Clínico Isolado (SCI): caracterizado por um evento único de sintomas clínicos de desmielinização, mas sem evidência de características de EMSR no exame imagiológico.
  • Síndrome Radiológico Isolado: caracterizado pela ausência de eventos com manifestação clínica, mas em que são observadas lesões características em imagens de ressonância magnética. Mais tarde, estes doentes tendem a desenvolver EMSR.

 

Sintomas e sinais possíveis1

  • Neurite ótica;
  • Oftalmoparésia;
  • Diplopia;
  • Vertigem;
  • Monoparésia, hemiparesia, paraparésia;
  • Parestesias, disestesias;
  • Defeito cognitivo (lentificação, defeito de memória, etc.)
  • Ataxia;
  • Tremor;
  • Afasia (Alteração da linguagem);
  • Disartria (Alteração da fala);
  • Encefalopatia;
  • Disfagia (Dificuldade em mastigar/engolir).

 

Diagnóstico

O diagnóstico da EM pode levar anos, por um lado, porque os sintomas podem inicialmente não ser incapacitantes o suficiente para a pessoa procurar assistência médica, por outro, porque existe uma sobreposição de sintomas com outras doenças do SNC, dificultando o diagnóstico.

A avaliação, diagnóstico e acompanhamento deverá sempre ser feita por um médico neurologista, com base na história clínica, exame neurológico e exames complementares (p.ex. ressonância magnética, potenciais evocados, estudo de líquido cefalorraquidiano).

 

Prognóstico

Perante a dificuldade em prever a evolução a doença, é desafiante definir um prognóstico de uma doença altamente influenciada por fatores como a idade no início dos sintomas, o sexo, a forma de apresentação, comorbilidades, etc.

Considera-se, geralmente, que o grau de incapacidade observada entre 5 a 10 após o início da doença, permite inferir sobre a sua progressão.

 

Tratamento

Os tratamentos farmacológicos atuais permitem diminuir a inflamação e a ocorrência de surtos, o que diminui a progressão da doença.

Como forma de gestão da doença, as terapias de neurorreabilitaçãoterapia da fala, fisioterapia, terapia ocupacional – permitem melhorar sintomas motores e não motores.

 

Saiba mais sobre:

Reabilitação da fala

Reabilitação da linguagem

Reabilitação da deglutição

 

Referências

  1. Katz Sand, I. Classification, diagnosis, and differential diagnosis of multiple sclerosis. Curr. Opin. Neurol. 28, 193–205 (2015).
  2. O’Gorman, C., Lucas, R. & Taylor, B. Environmental Risk Factors for Multiple Sclerosis: A Review with a Focus on Molecular Mechanisms. Int. J. Mol. Sci. 13, 11718–11752 (2012).
  3. Pandey, K. S. et al. Clinical course in multiple sclerosis patients presenting with a history of progressive disease. Mult. Scler. Relat. Disord. 3, 67–71 (2014).
  4. Rovaris, M. et al. Secondary progressive multiple sclerosis: current knowledge and future challenges. Lancet Neurol. 5, 343–354 (2006).

 

 

 

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