Este post foi escrito em 2013, no meu antigo site pessoal. Foi tão comentado, que me parece valer a pena recordá-lo 🙂

Uma característica comum a todos os Terapeutas da Fala que conheço é uma paixão absoluta pela profissão e uma procura constante por mais e melhor.

Pelos vistos, ser Terapeuta da Fala pode dar a volta à cabeça.

Uma vez disseram-me:

“Todos os Terapeutas da Fala que conheço têm um parafuso a menos.”

Será? Para quem está de fora, por vezes  agimos como pessoas de outro mundo.

E como a vida não são só coisas sérias, com a ajuda de alguns colegas, fiz uma recolha sobre  algumas daquelas “coisinhas” que nos fazem lembrar que somos um TF de alma e coração.

  • Sorris por dentro quando te chamam “fisioterapeuta da fala”, “terapeuta da boca”, “médica da língua”….;
  • Às vezes falas sozinho(a) na sala e fazes vozes e sons esquisitos (só um TF compreende porque fazes isso);
  • Gastas rios de dinheiro nas lojas de chineses e ninguém entende porquê – “É para a Terapia, OK?!“;
  • Nas festas lá te sai uma expressão ou outra que mais ninguém entende, mas que impressiona (“taxa diadococinética, coordenação pneumofonoarticulatória“…);
  • A família e os amigos pedem-te que avalies o filho de graça, mas…tu já tinhas avaliado (sem ninguém se aperceber, shhh);
  • Enquanto falas com uma pessoa que acabaste de conhecer estás a avaliar assimetrias, compensações, desvios, articulação, qualidade vocal, respiração…e mesmo assim ouves tudo o que te dizem;
  • Os amigos recorrem a ti para esclarecer dúvidas da Língua Portuguesa;
  • Passas uma considerável parte do teu tempo a explicar aos outros a tua profissão: “Não, não trabalho só com crianças.”, “A Terapia da Fala não é só para gaguez.”, “Não, não sou professora, nem médica, sou Terapeuta da Fala.”;
  • Metade do que os outros iam pôr para o lixo, aproveitas para a Terapia: “VAIS PÔR ISSO NO LIXOOO?!!” (my preciousss);
  • És o(a) único(a) dos teus amigos que evita terminantemente passar na secção dos brinquedos no supermercado, senão TEM de comprar alguma coisa (para a Terapia, claro);
  • Os teus momentos ZEN são os ciclos de imprime-corta-cola-plastifica-corta;
  • Idas ao estrangeiro só se for para congressos ou formações, nada de gastar dinheiro em férias (“Férias?”);
  • Já ouviste várias piadas sobre os exercícios que fazes com a língua e os lábios;
  • Se vais ao estrangeiro, pesquisas como se diz Terapeuta da Fala na Língua do país que vais visitar;
  • Ouves alguém berrar e pensas “Depois diz que tens nódulos.“;
  • A tua família e amigos não compreendem o sorriso parvo na tua cara depois de desligares a chamada de uma pessoa que acompanhaste há uns anos e que ligou só para saber como estás.

 

Nota: este post é dedicado aos Terapeutas da Fala, possivelmente só um TF vai compreender a maior parte do que escrevi hoje 🙂